BLOG

Sustentabilidade Empresarial: Quem não se adaptar fica para trás

A sustentabilidade passou de tendência a critério de seleção empresarial. Quem não estruturar informação e práticas ESG vai perder contratos, financiamento e relevância no mercado.

ESG já não é opcional

A União Europeia está a reduzir o universo de empresas diretamente abrangidas pelo reporte de sustentabilidade, através do pacote Omnibus, que corta em cerca de 80% o número de entidades inicialmente previstas na CSRD, concentrando a obrigação nas grandes empresas com maior dimensão económica. Em Portugal, porém, continuam obrigadas a divulgar informação não financeira as grandes empresas e grupos que sejam entidades de interesse público, com mais de 500 trabalhadores, que devem apresentar anualmente uma demonstração não financeira sobre impactos ambientais, sociais e de governação.

Efeito de cascata nas PME

Mesmo quando a lei não atinge diretamente as PME, a pressão é sentida pela cadeia de valor. Grandes empresas obrigadas a reportar ESG começam a exigir dados a fornecedores e parceiros, incluindo consumos, políticas internas, práticas laborais e indicadores ambientais, para cumprirem as suas próprias obrigações de transparência. Ao mesmo tempo, financiadores e investidores incorporam critérios ESG na análise de risco, concursos públicos valorizam desempenho sustentável e o risco reputacional pesa crescentemente na avaliação de longo prazo.

Informação como vantagem competitiva

Neste contexto, a capacidade de organizar, medir e demonstrar informação ESG tornou-se um fator competitivo. Empresas que não conseguem provar, com dados, o que fazem em energia, clima, pessoas ou governação, ficam fragilizadas – não necessariamente por falta de boas práticas, mas por ausência de evidência estruturada. A contabilidade assume aqui um papel estratégico: deixa de ser apenas fiscal e passa a ser a base da medição, da coerência entre discurso e prática e da credibilidade perante o mercado.

Preparar-se antes de ser obrigado

As organizações que se antecipam, estruturando desde já políticas, indicadores e reporte de sustentabilidade, ganham melhor acesso a financiamento, reforçam reputação e tornam-se parceiros preferenciais em cadeias de fornecimento exigentes. As que adiam a adaptação podem descobrir, demasiado tarde, que deixaram de cumprir requisitos mínimos para concorrer a projetos, linhas de crédito ou contratos-chave.

Em 2026, a questão já não é “se” a sustentabilidade será exigida, mas “quem” estará preparado quando deixar de ser opcional – e com que qualidade de informação e maturidade organizacional.

Notícias Universidade de Aveiro, 08 de janeiro de 2026

Para mais informações, contacte-nos

Partilhar