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Falhas na entrega de documentação comprometem processos PER e RERE

A correta e atempada entrega de documentação contabilística, administrativa e jurídica continua a ser um dos fatores mais determinantes para o sucesso dos Processos Especiais de Revitalização (PER) e dos Regimes Extrajudiciais de Recuperação de Empresas (RERE), segundo diversos especialistas das áreas jurídica e financeira.​

Apesar de estes mecanismos terem sido concebidos para permitir a recuperação de empresas em dificuldades económicas, a prática demonstra que insuficiências documentais permanecem entre as principais causas de atrasos, indeferimentos e, em muitos casos, do insucesso total dos processos.​

Documentação: eixo central da credibilidade do processo

Nos processos PER e RERE, a documentação exigida está longe de ser uma mera formalidade legal: é um pilar essencial para a credibilidade do processo. Ela é decisiva para:​

  • Permitir uma avaliação rigorosa da situação económico-financeira da empresa.
  • Suportar a análise da viabilidade do plano de recuperação.
  • Criar um ambiente de confiança junto de credores, tribunais e instituições financeiras.
  • Assegurar o cumprimento dos prazos e requisitos legais aplicáveis.​

Entre os documentos mais relevantes contam‑se demonstrações financeiras atualizadas, balancetes recentes, mapas de tesouraria, listagens completas de credores e dívidas, informação sobre contratos relevantes, processos judiciais em curso, garantias prestadas e situação fiscal e contributiva.​

O caso Sicasal como alerta

A importância do cumprimento destes requisitos ficou recentemente evidenciada no caso Sicasal. A empresa recorreu a um PER numa fase já marcada por dificuldades financeiras, mas o processo acabou por não avançar, em parte devido à não entrega atempada de documentação considerada essencial pelo tribunal.​

A impossibilidade de analisar de forma completa a situação da empresa e o plano apresentado levou ao indeferimento do PER, agravando a fragilidade financeira da sociedade e culminando, mais tarde, na sua declaração de insolvência. Este caso tornou‑se um exemplo paradigmático de como falhas documentais podem comprometer mecanismos legais desenhados precisamente para salvar empresas viáveis.​

Boas práticas recomendadas por especialistas

Peritos em reestruturação e recuperação empresarial recomendam que, antes sequer de avançar formalmente com um PER ou um RERE, as empresas promovam uma fase de preparação interna rigorosa. Essa preparação deve assegurar que toda a informação contabilística, financeira e jurídica relevante se encontra:​

  • Atualizada.
  • Coerente e reconciliada.
  • Validada pelos respetivos profissionais (contabilistas certificados, advogados, consultores financeiros).​

A articulação estreita entre órgãos de gestão, contabilistas, advogados e consultores é apontada como crucial para garantir o cumprimento de prazos, a robustez da informação e a redução do risco de indeferimento ou de perda de confiança por parte dos credores.​

Recuperar exige rigor e transparência

Os regimes de recuperação representam uma oportunidade relevante para empresas em dificuldade, mas o seu sucesso depende de disciplina, transparência e rigor documental desde o primeiro dia.​

O exemplo da Sicasal reforça uma conclusão inequívoca: sem documentação adequada, organizada e tempestiva, um processo destinado a evitar a insolvência pode ficar comprometido logo à partida, transformando uma oportunidade de revitalização num ponto de não retorno.

Mais informações acerca do caso, consultar ECO, 7 de janeiro de 2026

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