Em onze anos, o perfil de financiamento das empresas portuguesas mudou de forma significativa. É essa a conclusão de uma análise do Banco de Portugal divulgada esta semana, em antecipação ao Boletim Económico de outubro, que cobre o período entre 2013 e 2024.
Os números são claros: o peso da dívida no ativo desceu de 59,8% para 45,4%, e a percentagem de empresas com crédito bancário recuou de 44,1% para 40,7%. A dependência da banca, embora ainda acima da média da Zona Euro, reduziu-se de forma transversal a quase todos os setores e dimensões.
O crédito bancário pesa menos — mas Portugal continua acima da média europeia
Em 2024, o crédito bancário — empréstimos e títulos — representava 22,6% do passivo agregado das empresas, contra cerca de 29% em 2013. Esta redução foi especialmente pronunciada nas microempresas (menos de seis trabalhadores), onde o peso dos empréstimos bancários caiu para quase metade. A exceção foram as grandes empresas, com mais de 250 trabalhadores.
Por setores, apenas a informação e comunicação registou um aumento do peso dos empréstimos. As maiores quedas verificaram-se na construção e atividade imobiliária — sobretudo entre 2013 e 2019 — e nos transportes, com a redução concentrada no período pós-pandemia.
Portugal mantém, ainda assim, uma particularidade no contexto europeu: é o país da Zona Euro com maior peso de títulos detidos pelos bancos, o que amorteceu parcialmente a queda no crédito por via de empréstimos.
Crédito comercial e financiamento externo ganham peso
A redução do crédito bancário foi compensada, sobretudo, pelo aumento dos créditos comerciais — ou seja, da dívida a fornecedores. Esta rubrica representa entre 20% e 25% do passivo das empresas medianas com mais de dez trabalhadores e constitui uma forma de financiamento relevante para a maioria das empresas.
O financiamento externo também cresceu de forma expressiva, passando de 16% para mais de 20% do total. No final de 2024, o resto do mundo detinha 33,5% do capital próprio das empresas portuguesas, ultrapassando pela primeira vez as famílias (32,2%). Luxemburgo substituiu os Países Baixos como principal financiador externo, e países como França, Suíça e China ganharam relevância.
O que isto significa para as PME
A desalavancagem das empresas portuguesas — em particular das de menor dimensão — é uma evolução positiva que reforça a resiliência do tecido empresarial. Menos dívida significa menos vulnerabilidade a subidas de taxa de juro e maior capacidade de resposta a choques externos.
Para as PME que ainda dependem significativamente do crédito bancário, estes dados sublinham a importância de diversificar as fontes de financiamento: crédito comercial, financiamento de sócios, instrumentos de capital e apoios públicos como os disponíveis no quadro do PT2030 são alternativas que a Capitalizar acompanha regularmente com os seus clientes.
Nota Capitalizar
A estrutura de financiamento de uma empresa é uma decisão estratégica — não apenas uma resposta às condições de mercado. A equipa da Capitalizar está disponível para analisar a situação específica da sua empresa e identificar as opções mais adequadas ao seu perfil e objetivos.
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Fonte: Banco de Portugal, análise prévia ao Boletim Económico de outubro 2026, via ECO