No final de março de 2026, a duração média dos processos executivos situava-se em 35 meses — o valor mais baixo dos últimos dez anos. As pendências caíram de 768.000 para 344.600, representando uma redução de mais de 55% numa década. Esta evolução reflecte melhorias estruturais no sistema judicial português — e tem implicações directas para a gestão do risco de crédito nas empresas.
| 768.000 processos executivos pendentes há dez anos | 344.600 processos pendentes em março 2026 | 35 meses duração média dos processos mínimo histórico (10 anos) |
O que os dados revelam
A queda de mais de metade no número de processos executivos pendentes em Portugal numa década é uma evolução significativa. A redução reflecte vários factores em simultâneo: melhorias na eficiência do sistema judicial, alterações legislativas nos mecanismos de execução, e uma maior tendência para a resolução extrajudicial de litígios de crédito.
A duração média de 35 meses — mínimo histórico da última década — representa também um sinal positivo para credores e para o ambiente de negócios em geral: a resolução judicial de dívidas tornou-se mais previsível e menos morosa.
A leitura para as empresas
Para as empresas credoras, um sistema mais ágil representa maior segurança jurídica e prazos mais previsíveis na recuperação de crédito. Para as empresas devedoras, reforça a urgência de agir antes de a situação chegar à fase executiva.
Três implicações práticas:
→ Menos processos pendentes significa menor pressão sobre o sistema e resoluções mais rápidas para quem recorre à via judicial
→ Empresas com dívidas em cobrança judicial podem contar com prazos de resolução mais previsíveis do que no passado
→ A tendência favorece instrumentos de reestruturação preventiva — como o PER — face à insolvência: resolver antes de executar continua a ser a estratégia mais eficiente para todas as partes
O papel da reestruturação preventiva
A melhoria dos dados de execução judicial não elimina a necessidade de gerir activamente o risco de crédito. Pelo contrário — num ambiente onde os processos se resolvem mais rapidamente, a pressão sobre empresas com dificuldades financeiras pode aumentar.
Os mecanismos de reestruturação preventiva, como o Processo Especial de Revitalização (PER), continuam a ser a forma mais eficiente de proteger o valor das empresas viáveis — para os próprios, para os credores e para a economia. Quando uma empresa actua antes de os créditos chegarem à fase executiva, as condições de negociação são substancialmente melhores e o impacto sobre o valor da empresa é significativamente menor.
A Capitalizar acompanha processos de reestruturação financeira e apoia empresas a avaliar as opções disponíveis antes de a situação se tornar crítica.
Como a Capitalizar pode ajudar
Se a sua empresa enfrenta dificuldades no cumprimento de obrigações financeiras, ou se é credor a gerir exposição a devedores em dificuldade, a equipa de Reestruturações da Capitalizar está disponível para uma análise da situação e avaliação das opções.
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Análise Capitalizar · Agosto 2026 · Fonte: Público, 18 agosto 2026
Este artigo tem carácter informativo e não substitui aconselhamento jurídico ou financeiro personalizado. Para análise da sua situação concreta, contacte a equipa Capitalizar.