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Insolvências sobem 10% em abril e criação de novas empresas recua quase 9%

Os dados divulgados pela Iberinform apontam para um início de ano marcado por maior pressão nas insolvências requeridas por terceiros e por menos dinamismo na criação de novas empresas em Portugal.


Insolvências declaradas sobem 10% em abril

As insolvências declaradas em Portugal aumentaram 10% em abril face ao mesmo mês de 2025, enquanto a constituição de novas empresas caiu 8,6% no mês, refletindo um abrandamento na dinâmica empresarial.

Os encerramentos de processos de insolvência também cresceram, com uma subida de 17% em termos homólogos. Os dados são da Iberinform, a filial da Crédito y Caución.

Em abril de 2026 foram declaradas insolventes 154 empresas, mais 14 do que em abril de 2025. Já no acumulado dos primeiros quatro meses do ano, o total de ações de insolvência declaradas aumentou cerca de 5% face a 2025, com mais 31 processos.


Origem dos pedidos: as empresas pedem menos insolvência, os credores pedem mais

A evolução difere conforme a origem do pedido:

  • As Declarações de Insolvência Apresentadas pelas próprias empresas (DIA) diminuíram cerca de 10% no quadrimestre, com menos 39 declarações;
  • Em sentido inverso, as Declarações de Insolvência Requeridas por terceiros (DIR) dispararam 23%, com mais 70 pedidos, totalizando 308.

Isso indica que a pressão sobre as empresas vem cada vez mais de credores e terceiros, e não de pedidos voluntários das próprias empresas.


Porto e Lisboa lideram, mas com tendências opostas

Os distritos do Porto e de Lisboa continuam a liderar em número de insolvências declaradas entre janeiro e abril, com 164 e 144 processos, respetivamente.

Comparado com 2025:

  • o Porto registou uma redução de 13%;
  • Lisboa apresentou um crescimento de 7,5%.

Os maiores aumentos até ao final de abril verificaram-se em:

  • Angra do Heroísmo (+200%);
  • Madeira (+175%);
  • Vila Real (+100%);
  • Ponta Delgada (+67%);
  • Bragança (+33%);
  • Braga (+27%).

Já as maiores quebras ocorreram em:

  • Horta (–100%);
  • Coimbra (–48%);
  • Guarda (–40%);
  • Santarém (–24%).

Setores: construção e hotelaria com mais insolvências

Por setores de atividade, os maiores aumentos nas insolvências declaradas até abril registaram-se em:

  • Construção e Obras Públicas (+26%);
  • Outros Serviços (+14%);
  • Hotelaria e Restauração (+9%);
  • Indústria Transformadora (+7%).

Em contrapartida, os principais decréscimos sentiram-se em:

  • Indústria Extrativa (–100%);
  • Agricultura, Caça e Pesca (–37%);
  • Comércio a Retalho (–9%);
  • Transportes (–8%);
  • Comércio por Grosso (–4,5%).

Encerramentos de processos aceleram 17%

No primeiro terço de 2026, os encerramentos de ações de insolvência acumuladas cresceram 17% face a 2025, passando de 779 para 911 processos concluídos:

  • os encerramentos com declaração de insolvência (DI) aumentaram 12%;
  • os encerramentos com plano de insolvência (PI) tiveram um crescimento mais expressivo de 74%, de 11 processos em 2025 para 42 em 2026.

Isso sugere um aumento de processos que terminam com plano de recuperação, e não apenas com declaração pura de insolvência.


Criação de empresas mantém tendência de queda

A constituição de novas empresas manteve a trajetória negativa no primeiro quadrimestre:

  • até final de abril de 2026 foram criadas 4.046 novas empresas;
  • face às 4.426 registadas no período homólogo de 2025;
  • a redução absoluta de 380 empresas representa uma quebra de quase 9% no mês de abril;
  • em termos acumulados, a diminuição ronda os 3% face ao ano anterior.

Os dados da Iberinform apontam para um início de 2026 marcado por:

  • mais pressão nas insolvências, especialmente as requeridas por terceiros;
  • menos dinamismo na criação de novas empresas.

Este cenário reforça a necessidade de acompanhamento atento da saúde financeira das empresas e de apoio adequado em processos de reestruturação e insolvência.

Jornal Económico, 14 de maio de 2026

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